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Guto de Oliveira Ilustrador
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Vó o que é morrer ?

Projeto editorial

Ilustrações, conceito e identidade visual

Vó, o que é morrer? é um livro infantil que aborda um dos temas mais delicados da infância: a compreensão da morte.

A narrativa acompanha uma criança de seis anos que, depois de perder seu cachorro e, posteriormente, seu bisavô, começa a fazer perguntas para as quais os adultos ao seu redor nem sempre estão preparados para responder.

Entre descobertas, lembranças e conversas com a avó, o protagonista procura compreender o que significa morrer, por que as pessoas morrem e o que acontece depois da morte.

O projeto propõe uma abordagem acolhedora para um assunto frequentemente evitado pelos adultos, valorizando o diálogo como caminho para transformar o medo e a insegurança em compreensão.

A obra também apresenta uma perspectiva cristã sobre a morte e a vida após a morte, fundamentada nos ensinamentos bíblicos presentes no manuscrito.

Visualmente, o projeto parte dessa dualidade para construir uma narrativa que transita entre momentos de tristeza e afeto, mas que encontra na relação entre avó e neto seu principal espaço de acolhimento.

A história

Tudo começa com uma perda.

Brucutu, o cachorro e melhor amigo de um menino de seis anos, morre inesperadamente. Sem compreender o que aconteceu, o menino acredita que a morte é como nas brincadeiras ou nos programas de televisão: algo que termina e depois volta ao normal.

Mas Brucutu não volta.

Algum tempo depois, novos cachorrinhos chegam à casa, sua irmãzinha nasce e a família vive momentos de alegria. Até que outra perda faz surgir uma pergunta que ninguém parece querer responder:

“Vó, o que é morrer?”

O menino procura respostas com o pai, a mãe, na escola e, finalmente, encontra na avó alguém disposto a conversar.

A partir daí, os dois percorrem um caminho de perguntas e descobertas. O menino quer saber o que acontece com o corpo, o que é a alma, onde fica o céu, se a morte dói, por que as pessoas têm medo e o que acontece com aqueles que ficam.

A avó responde a cada pergunta com paciência, carinho e a partir de sua fé, mostrando ao neto que falar sobre a morte também pode ser uma maneira de compreender melhor a própria vida.

Ao longo dessas conversas, o menino percebe que a morte traz saudade e tristeza, mas também aprende que o amor e as lembranças permanecem.

No fim, ele ainda sabe que sentirá muita saudade quando alguém que ama partir.

Mas agora já não precisa enfrentar esse sentimento sozinho.

Ele encontrou uma maneira de falar sobre a morte — e, principalmente, uma nova maneira de olhar para a vida.

A parceria criativa

O projeto parte do texto de Julieta Breternitz, construído como uma conversa entre uma criança curiosa e sua avó diante de um dos maiores mistérios da existência.

A estrutura narrativa utiliza as perguntas do menino como fio condutor. Cada dúvida abre espaço para uma nova conversa e permite que o leitor acompanhe, junto com o personagem, um processo gradual de compreensão.

A relação entre avó e neto é o coração emocional da narrativa.

Mais do que simplesmente fornecer respostas, a personagem da avó representa um espaço de escuta, acolhimento e segurança para que a criança possa expressar seus medos e questionamentos.

Na construção visual, o desafio foi acompanhar essa relação sem perder a perspectiva infantil do protagonista. A morte está presente na história, mas o universo visual também é povoado por brincadeiras, natureza, animais, família e momentos cotidianos.

A parceria entre texto e imagem busca, assim, equilibrar a delicadeza do tema com a curiosidade própria da infância, criando espaço para que o leitor possa sentir, questionar e interpretar a história à sua maneira.

Moodboard e narrativa cromática

A construção visual do projeto parte do contraste entre vida e morte, presença e ausência, medo e acolhimento.

O moodboard reúne referências do universo rural e familiar apresentado na história: a chácara, o quintal, o pomar, o lago, os animais, a casa dos avós e os pequenos momentos da rotina de uma criança.

A natureza possui uma presença importante na narrativa e funciona como contraponto aos momentos mais difíceis. O nascimento dos cachorrinhos, a chegada da irmãzinha, as andorinhas, as plantas, o pomar e o céu ajudam a construir uma percepção de continuidade e renovação.

A narrativa cromática acompanha esse movimento.

Os momentos relacionados à perda e às dúvidas podem assumir atmosferas mais silenciosas e contidas, enquanto as cenas de convivência familiar, descoberta e brincadeira recebem maior luminosidade e calor.

A passagem entre essas atmosferas não procura estabelecer uma divisão rígida entre cores “tristes” e “felizes”. Pelo contrário, a intenção é mostrar que tristeza, saudade, afeto e esperança podem existir simultaneamente.

O céu, a luz e os elementos naturais também ganham importância como recursos simbólicos, ajudando a construir visualmente a ideia de passagem e de algo que continua existindo para além daquilo que podemos ver.

O resultado é uma paleta pensada para acolher o leitor e permitir que um tema difícil seja apresentado visualmente com delicadeza, humanidade e esperança.

Projeto gráfico e ilustrações

O projeto gráfico foi desenvolvido para preservar a intimidade das conversas entre o menino e sua avó.

Como grande parte da narrativa acontece por meio de diálogos e reflexões, as ilustrações assumem o papel de ampliar aquilo que não está necessariamente explícito nas palavras, explorando expressões, gestos, ambientes e silêncios.

A relação entre os dois personagens é o principal eixo visual do livro. A proximidade física — um colo, um abraço, uma caminhada pelo quintal ou uma conversa durante uma atividade cotidiana — ajuda a transmitir a sensação de segurança que a avó oferece ao menino.

Ao redor deles, os espaços da chácara funcionam como uma extensão da narrativa. O quintal, o galinheiro, o pomar, o curral, o lago e a casa tornam-se cenários para as perguntas e descobertas do protagonista.

A linguagem visual também procura respeitar a perspectiva infantil. Situações complexas são observadas por meio de um olhar curioso, que pode transformar uma explicação sobre a vida, a morte ou o céu em uma nova sequência de perguntas.

Elementos simbólicos aparecem de maneira sutil, especialmente aqueles relacionados ao céu, à natureza, à luz e à passagem do tempo.

Dessa forma, as ilustrações procuram criar uma experiência visual que não tenha como objetivo representar a morte de maneira assustadora, mas dar forma aos sentimentos que surgem quando uma criança começa a tentar compreendê-la.

Processo de desenvolvimento

O desenvolvimento visual começou pela construção dos dois personagens centrais: o menino e sua avó.

Os estudos buscaram estabelecer uma relação visual clara entre eles, trabalhando diferentes possibilidades de idade, proporção, expressões e gestualidade para que a relação afetiva estivesse presente mesmo nos momentos em que o texto não a descrevesse diretamente.

Também foram explorados os diferentes ambientes da narrativa, desde a casa e a escola até os espaços externos da chácara. A intenção foi construir um universo coerente, reconhecível e suficientemente rico para acompanhar a longa sequência de conversas do protagonista.

Outro ponto importante do desenvolvimento foi encontrar uma maneira visual de representar conceitos abstratos presentes no texto, como alma, céu, saudade, medo e esperança.

Em vez de recorrer a representações literais ou assustadoras da morte, os estudos procuram trabalhar esses conceitos por meio de metáforas visuais, elementos naturais, mudanças de atmosfera e relações entre personagens.

A passagem do tempo também orienta o desenvolvimento do projeto. A história começa com uma criança que não compreende a morte e termina com um menino que ainda sente medo e saudade, mas que agora possui referências para lidar com esses sentimentos.

O processo de criação busca, portanto, acompanhar uma pequena transformação interior: não se trata de deixar de sentir tristeza diante da morte, mas de aprender que é possível falar sobre ela, compreendê-la e continuar vivendo.

Ilustrações: Guto de Oliveira

Texto: Julieta Breternitz

Projetos
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